O que é e de onde vem a tal da "Franchise Tag"
Mecanismo utilizado pelas franquias da NFL para garantir que um jogador de seus elencos que tenha atingido o termo de seu contrato seja obrigado a aceitar um vínculo de mais um ano com o mesmo time
15/07/2020 13h30 - por Marcelisco
Via de regra, quando um contrato de um jogador com um time da NFL se encerra, o jogador ganha o famoso status de free agent ("agente livre", na tradução literal). Porém, os times ainda têm um recurso para impedir que seus melhores jogadores não acabem simplesmente saindo da franquia caso não seja possível negociar um contrato de longo prazo e este recurso é a franchise tag (a tradução livre aqui vai ter que ser bem liberal e ficaremos com "etiqueta de franquia").

Como ela funciona, exatamente? Pra falar disso, vamos falar rapidinho da origem da free agency, do teto salarial e da própria franchise tag.

Lá pro final de 1992, a discussão era de como implementar teto salarial na liga e, ainda mais importante, como funcionaria o mercado livre de jogadores, demanda antiga dos atletas da NFL. Sim, até lá não existia o modelo atual de "free agency" e nem teto salarial. Os donos de time ficaram muito preocupados com a possibilidade de perder suas principais estrelas e, liderados por Pat Bowlen e seu medo de perder o então quarterback titular John Elway, foi criada a chamada "Elway Rule", mais tarde a chamada regra da "franchise tag". 

Com esta regra, os times têm o direito de designar um jogador considerado o jogador mais valioso da franquia para que ele seja mantido por mais um ano de contrato, recebendo um valor salarial próximo do topo para sua posição (média dos cinco maiores salários da posição OU um aumento de 120% do salário do ano anterior, o que for maior). A ideia é proteger o time de perder jogadores que tenham uma relação próxima não só com o time, e o representando, mas também com a comunidade e os fãs. Na prática, o que se viu foram os times utilizarem a regra para prorrogar de maneira forçada por um ano o contrato de algum jogador com quem não fosse possível negociar uma extensão.

Para os times, virou uma ferramenta muito útil e para os jogadores virou uma trava horrível. Logo, agentes já se referiam à etiqueta da franquia como prison tag, pois impedia o jogador de escolher livremente onde jogar, obrigando-o a arriscar sua saúde por mais um ano antes de garantir rendimentos adequados para sua produtividade e os riscos que corria. Vale dizer que se o jogador optar por não assinar o contrato decorrente da franchise tag, ele não pode assinar com os demais times da NFL, sendo obrigado a tomar o caminho já tomado por alguns de ficar de fora da liga.

Do começo dos anos 90 para cá muita coisa mudou e, hoje, é muito comum a tag ser aplicada até em kickers. Os jogadores mais valioros da franquia, em geral, acabam recebendo extensões que os vinculam ao time no longo prazo com uma compensação financeira justa, enquanto que o mecanismo da franchise tag acaba servindo mesmo para dar mais uma vantagem aos times na hora de negociar com os jogadores (seja ele a cara da franquia ou nem perto disso).

Mas o que acontece se, passado o ano de contrato decorrente da franchise tag, as partes não prorrogam o contrato? Para aplicar o mecanismo no mesmo jogador no ano seguinte, o time é obrigado a dar um aumento de 20% do salário do ano anterior e, para uma terceira vez, um aumento de 44%. Estes aumentos de 20% sobre a média dos mais bem pagos jogadores da posição já é fora do razoável, 44% em cima deste aumento então, precisa nem falar que ninguém quer.

No passado, você tem o left tackle dos Seahawks, Walter Jones, o left tackle dos Rams Orlando Pace e o safety dos Jaguars, Donovin Daiurs, como exemplos raríssimos de três franchise tags consecutivas para o mesmo jogador. Mesmo dois anos consecutivos já é bem raro, com a mais recente sendo a do running back Le'Veon Bell, então do Pittsburgh Steelers, que resolveu ficar de fora da temporada 2018 para não jogar mais um ano debaixo da designação de jogador da franquia sem receber um contrato de longo prazo.

Este ano, de todos os jogadores que receberam a designação, apenas o defentive tackle Chris Jones, do Kansas City Chiefs, e o running back Derrick Henry, do Tennessee Titans, receberam extensões antes da data limite que os times e os jogadores têm para assinar um contrato de longo prazo e evitar o vínculo de um ano. Os demais, vão todos se arriscar por um ano e tentar de novo ano que vem.

Isso, se tiver temporada.




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