Dak Prescott mostra aos Cowboys o que acontece quando os dois lados tem poder real de barganha
Geralmente, os jogadores querem mais é assinar um contrato de longo prazo para garantir que, mesmo sofrendo uma lesão inesperada, conseguiram receber uma quantia que garante sua vida inteira. Essa é a carta dos Cowboys. Qual é a carta do seu quarterback?
14/07/2020 18h37 - por Marcelisco
No começo de junho, o excelente analista e colunista da ESPN.com, Bill Barnwell, falou aqui sobre como as negociações entre Dallas Cowboys e seu quarterback, Dak Prescott, são traiçoeiras e fogem do padrão dos outros casos da liga. Pode ler a matéria inteira se quiser, e ela certamente vale a leitura de TRINTA E DOIS MINUTOS, mas o que vamos falar aqui é sobre um ponto importante: o porquê do interesse proativo do jovem quarterback em vínculos de curto prazo.

Quando falamos de um esporte onde seus praticantes correm os riscos de saúde, de curto e longo prazo, que correm os jogadores da NFL, o pensamento mais natural é o de ganhar a maior quantidade de dinheiro antes que minha carreira inteira possa ser colocada em risco com uma lesão. A carreira média na NFL dura menos de 3 anos, então garantir mais dinheiro logo parece razoável. Soma-se a isso que a média anual dos atletas, descontando os mega salários que existem em muito menor número e que acabam puxando a média lá pra cima, é de 800 mil dólares.

Ainda muito dinheiro, mas bem longe dos mega contratos que atribuímos por reflexo a qualquer atleta profissional.

Pois bem. Dak Prescott ainda é um jovem atleta cheio de potencial em um esporte violento. Caso se lesione, sua carreira certamente levará um baque. Mas Prescott é jovem e tem um motivo bem importante para não se comprometer por um longo prazo: MUITO DINHEIRO.

Como os Cowboys já deram os contratos mais caros da liga em suas respectivas posições para o running back Ezekiel Elliott, o left tackle Tyron Smith e o guard Zack Martin, além dos segundos mais caros para o edge DeMarcus Lawrence e o wide receiver Amari Cooper, ao time agora restou aplicar a franchise tag em Dak Prescott. Com ela, o time garante os serviços do jogador pelo próximo ano, sendo obrigado a pagar um salário que é a média dos cinco maiores salários da posição.

(O prazo para o time e o jogador assinarem uma prorrogação que evitaria que ele jogasse esse ano na franchise tag é amanhã à tarde e nada indica que time e jogador vão chegar em algum lugar até lá)

Acontece que se o time for lá no ano seguinte e, de novo, não conseguir negociar um contrato de longo prazo com o jogador, pra ela recorrer ao mesmo recurso ela seria obrigada, pelas regras do Acordo Coletivo de Trabalho, a pagar ao jogador um aumento de 20% em cima dos 31 milhões de dólares que ele vai ganhar em 2020, jogando no contratinho de um ano da franchise tag. São quase 38 milhões de dólares (37,7), além dos 31,4 milhões originais.

Para o Dallas isso já é um problema, porque a receita da liga pode cair depois de uma temporada sem torcedores nos estádios, enquanto o time seria obrigado a pagar cada centavo destes mais de 69 milhões de dólares para contar com o jogador.

A alternativa a Prescott? Ninguém quer ter que responder esta pergunta, já que achar quarterback titular pro seu time, com idade para guiar seu ataque no longo prazo é extremamente dificil. Pode perguntar pra esses meus amigos aqui. O camisa #4 tem talento e potencial que a comissão técnica e diretoria conhecem de perto. Pode ser feita qualquer crítica ao jogo e às limitações de Prescott, mas é inegável que um jogador como ele pode oferecer estabilidade na posição mais importante do seu time, além de potencial de um desenvolvimento ainda maior.

Para Prescott, de acordo com Barnwell, esperar estes dois anos ganhando toda essa grana pode render ainda mais frutos, já que mesmo com a queda de receita da temporada 2020, os contratos televisivos da liga expiram em 2021 (com a ESPN) e em 2022 (com CBS, NBC e Fox) e a assinatura de novos contratos, de acordo com projeções de especialistas, pode ser pelo valor de até o dobro do pago atualmente.

Com esse aumento dos valores dos contratos televisivos, o teto salarial também dispararia e quem for um jogador agente livre, em 2022, pode ter a chance de receber uma bolada, como aconteceu com a NBA, lá pra 2016-17.

E foi assim que o ex-quarterback da universidade de Mississippi State acabou ficando com a faca e o queijo na mão para poder apostar em si mesmo. O risco de lesão ainda existe, é claro, mas Prescott pode usar a seu favor esta grande vantagem ao invés de, simplesmente, aceitar o que o time oferecer, como sugeriu de maneira míope e rasa o CEO do time Stephen Jones, filho do dono do time Jerry Jones.

Os Cowboys foram lá e deram contratos pra todo mundo. Até pro running back, indo contra a maré do que as supostas melhores práticas da liga podem sugerir, eles deram um super contrato.

No frigir dos ovos, negligenciar o quarterback e seu poder de negociação pode acabar custando caro para o Dallas Cowboys.




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