O protocolo da NFL para a pandemia envolve uma quantidade impressionante de testes
Em um cenário de pandemia onde testar a maior quantidade de pessoas já se provou muito eficaz, a NFL quer seguir nessa linha, mesmo que o resto do país não faça a mesma coisa e o próprio governo desencoraje a realização de testes
06/07/2020 16h20 - por Marcelisco
A NFL e a NFLPA (sindicato dos jogadores) ainda estão finalizando todos os protocolos de volta aos campos, de maneira que a liga consiga seguir com a temporada 2020 apesar da pandemia de coronavírus que mijou na cara do nosso ano de 2020. Nada é garantido, mas todas as partes envolvidas têm pleno conhecimento de que a testagem é parte essencial e mínima de qualquer tentativa de retorno e tanto a frequência quanto o tamanho dos elencos, deixam muito discrepante uma situação: a disponibilidade de testes para a NFL e a disponibilidade de testes para o restante da população.

Não vamos, aqui, ter a pretensão de nos colocar no lugar de especialistas como Atila Iamarino, única pessoa capaz de me convencer a voltar ao "normal". Mas sabemos que testagem e rastreio é uma maneira muito boa de, no mínimo, achatar a curva de propagação do vírus. Não à toa, a volta aos treinamentos e aos gramados deverá ocorrer em meio à um protocolo que confia muito nisso.

O insider da NFL Network, Tom Pelissero, já divulgou o que parece ser um rascunho da questão da testagem e a sequência para casos de alerta (aqui embaixo traduzido livremente por mim):

Todo esse protocolo, que ainda inclui todo o protocolo de testagem, envolve uma quantidade enorme de testes que estarão disponíveis para todos os times da liga e, também, para os parentes e demais contatos próximos dos jogadores.

Dos 32 times, só de jogadores num primeiro momento de reapresentação dos times, se a gente considerar só a quantidade de jogadores para a temporada regular (52, mas nos training camps que começam no final de julho a expectativa é que os times tragam até 70 jogadores cada) chega lá pra 1664 jogadores. Sendo testados a cada três dias, cada um, como é a expectativa, estamos falando de 16.640 testes no período de um mês. SÓ PARA OS JOGADORES. Nem contamos ainda comissão técnica, funcionários dos clubes, familiares ou mesmo os casos descritos no fluxograma acima.

É uma verdadeira obscenidade que uma liga esportiva tenha tanto acesso a algo que é abertamente negado à população, conforme o próprio presidente Donald Trump indicou e depois confirmou.

Está criado um verdadeiro cenário de aplicar o que é razoável no enfrentamento à pandemia do COVID-19 para as ligas esportivas do país, enquanto olha para a população que morre cada vez mais e, assim como o nosso presidente, diz um retumbante "VOCÊS QUE LUTE".

Já passou da hora de admitirmos que não há espaço para ligas esportivas retomarem atividades sem que haja garantia absoluta de que alguém vá se infectar e estamos muito longe disso. Não só isso, se há a possibilidade de envidar esforços de testagem e rastreio, ela deve ser estendida à toda a população. 

Ou isso, ou estamos falando que nosso esporte semanal é mais importante que milhares de vidas diárias que se vão e deixam para trás família, amores, sonhos e sentimentos.


Ilustração de Guga Sanches




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