Será que os donos de franquias da NFL acreditam que vidas negras importam?
A pergunta é retórica e se você não sabe que a resposta é "não", solta o pano e vai se informar um pouco mais, por favor
15/06/2020 11h58
A onda de protestos que tomou conta dos Estados Unidos após o assassinato de George Floyd por um policial, fez com que os jogadores, a liga e o próprio Comissário Roger Goodell se posicionassem sobre o tema do racismo e da brutalidade policial contra a população negra. Mas um grupo relevante de pessoas da liga mantém um silêncio ensurdecedor sobre o tema: os donos bilionários.

O único a tomar alguma posição pública, até aqui, foi Steve Bisciotti, do Baltimore Ravens, em um vídeo nas redes sociais, onde divide espaço com todos os seus jogadores falando sobre o tema. E ainda que apareça no vídeo e o posicionamento público seja importante, Bisciotti deixou de fazer algo muito importante no que se refere a este tema: se desculpar publicamente por não ter assinado com Colin Kaepernick, em 2017, depois de chegar a falar a respeito com fãs e considerar que a contratação poderia ser um problema para a imagem da marca do time.

(Vale observar que Bisciotti doou dinheiro para organizações nacionais ligadas ao tema, assim como Jed York, do San Francisco 49ers. Gayle Benson, dona do New Orleans Saints e dos Pelicans, da NBA, também iniciou uma coalisão com jogadores dos seus dois times, além de David Tepper, dono dos Panthers, que rompeu o contrato com a empresa de segurança CPI Security após seu CEO minimizar a violência policial)

Protestos contra a brutalidade policial eram um problema em 2017, mas em 2020 não são mais. Por quê? Será que Bisciotti mudou mesmo de posição ou apenas percebeu que os danos à sua marca seriam maiores agora se não mudasse de postura publicamente? Será que essa foi a mesma leitura dos demais bilionários?

Colin Kaepernick foi boicotado pela liga por se manifestar a respeito de um tema que, hoje, parece ser consenso e o caso dos Ravens foi um dos que mais chamou atenção, à época, pelo fato de Bisciotti ser cobrado publicamente, o técnico John Harbaugh falar a respeito, o próprio dono falar sobre o prejuízo da marca, enquanto o QB titular do time era Joe Flacco. O time acabou assinando com Robert Griffin III para a posição de reserva. Mas eles não são os únicos que representam um problema.

Aliás, dos 32 donos de times da liga, todos são brancos, com exceção de Shahid Khan, do Jacksonville Jaguars. Mas o próprio Khan foi doador do presidente Donald Trump e se, a essa altura do campeonato, precisamos falar onde que um presidente que representa a supremacia branca americana está relacionado com o tema, talvez você não esteja prestando atenção suficiente no mundo ao seu redor.

Os donos de franquia são representados por Roger Goodell, mas quando sabemos que alguns deles, além de Khan, fizeram doações significativas para o atual presidente americano, como Jerry Jones (Cowboys), Robert Kraft (Patriots), Stan Kroenke (Rams), Woody Johnson (Jets), Dan Snyder (Washington), o falecido Bob McNair (Texans), Edward Glazer (Buccaneers) e Jimmy Haslam (Browns), a situação fica bem mais problemática. E piora: Woody Johnson virou embaixador americano no Reino Unido, Jerry Jones chegou a ameaçar colocar no banco jogadores que se manifestassem e Bob McNair era um racista expresso incorrigível.

Não adianta usar hashtag, fingir estar engajado com os protestos, enquanto financia um presidente abertamente racista, defensor de políticas abertamente racistas, que acha normal supremacistas brancos invadirem órgãos legislativos armados de fuzis, enquanto manda o exército e a guarda nacional para reprimir manifestantes do movimento Black Lives Matter.

A população está de olho na sinceridade desses donos e se a questão toda é o posicionamento da marca da franquia, nenhum deles está de fato preocupado com um problema que afeta tanto a vida da imensa maioria de seus jogadores.




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